WELCOME TO THE JUNGLE (OU EU ERA FELIZ E NÃO SABIA)
Antes de começar o post, faz-se mister deixar claro que não tenho a intenção de voltar a postar regularmente. É uma vontade momentânea, motivada pela minha atual rotina, que me impossibilita de ficar muito tempo em chats/telefones/Google Talks/Orkuts da vida. Logo, são raras as oportunidades de falar sobre a vida e filosofar em botequins. Como um blog nada mais é do que uma desculpa pra falar da própria vida, resolvi levantar a bandeira branca e aparecer por aqui. Mas não garanto nada... nem que vou terminar esse post.Dito (ou escrito) isso, vamos às novas...
Até duas semanas atrás, eu vivia a feliz rotina de garoto Zona Sul. Acordava ás 05:30 no meu apartamento, um espaço indefinido entre Glória e Catete, pegava U-571 e ia pra Gávea, local de queimar neurônios e ganhar o pão. Queimava pela manhã (os neurônios, por Deus), e à tarde/noite ganhava meu pãozinho suado. Tudo muito bom, tudo muito bem. Chegava em casa geralmente às 20 horas, a tempo de torcer pro Boi Bandido enrabar a Sol.
Eis que alcei vôos mais altos. “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, já diria Uncle Ben (Parker, não o tiozinho do arroz). Atualmente continuo acordando no mesmo horário, mas a hora de chegar em casa, quanta diferença. Algo em torno de 23 horas. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário. Estou ganhando um pouquinho mais e trabalhando num lugar maneiro.
O que mudou? Como diria Win Butler os meninos do Fliperama de fogo, “the neighbors can dance in the police disco lights”. O que mudou foi a vizinhança. Hoje mesmo estava eu tranqüilamente subindo a rua do meu trabalho, feliz e contente com minha camisa laranja avermelhada, quando sou abordado por um grupo de simpáticos vizinhos a bordo de um simpático ônibus: “Ae, tira essa camisa, porra!”. Como já estava chegando na porta do prédio, bastou eu apertar os passos e ficar em suposta segurança.
Pra quem não mora na paradisíaca capital fluminense, eu explico. Cá na província, os nativos estão a brigar. O prédio onde trabalho tem uma ótima vista. Você olha pra direita e vê um belo conjunto habitacional, localizado no alto de um morro (vejam só as modas da capital! morar em morros!). Você olha pra esquerda e... ahá! outro morro, com outros simpáticos moradores. A rua do meu trabalho fica entre os dois morros.
Acontece que, como disse acima, lado A não se dá com lado B. E eles lavam a roupa suja ali mesmo. A qualquer hora do dia, você pode ser surpreendido com uma sinfonia de bilhetinhos metálicos voando de um morro para o outro. E nós, como convidados indesejados da festa, ficamos ali no meio, à espera de alguma guloseima alada. Os vidros são blindados, mas não blindam o som. Chega a ser até interessante a hora do cafezinho:
- !POW! Então, vai sair hoje? !TATATATATA!
- Sei lá... !BUM!... tô meio !RATATTATATTATTA!
- O que? !PÁ!
- Ah, disse que tô meio morto hoje...
- Ah, beleza !PA PA PA!
Alguns já encaram a sinfonia como algo tão natural quanto um barulho de descarga, ou os ruídos do restaurante, dois andares acima. Eu ainda me assusto.
O fato é que rodei, rodei, e não fui ao assunto principal. Uma vizinhança usa roupas vermelhas. A outra não. Em dia de guerra, recomenda-se usar roupas neutras. Eu, desavisado, coloquei uma camisa laranja, crente que estava arrasando. E realmente, arrasei tanto que podia ter sido vítima de tiro ao alvo sem saber.
Ah sim, pra completar: a rua onde eu trabalho é conhecida gentilmente pelo nome “Faixa de Gaza 1”. O que me surpreende não é nem o nome, mas o “1” no final. É saber que, além da minha rua, existem outras...
Mas tudo bem, I simply remember my favourite things, and then I don’t feel so bad. Fiquei sabendo que vamos nos mudar para outro bairro... em até quatro anos. Viu? São só mais uns mil e tantos dias...
E eu consegui terminar o post.
